Cachorro com alergia de pele: entenda as causas e saiba como cuidar

Um cachorro com alergia de pele pode dar sinais bem antes de um diagnóstico: aquela coçadinha atrás da orelha, o jeito de esfregar o focinho no tapete ou a lambida insistente na pata. Pais de pet atentos costumam perceber essas mudanças de rotina rapidinho, porque conhecem cada gesto do seu filho de quatro patas.

Esses sinais nem sempre indicam uma alergia, mas observar quando aparecem, com que frequência acontecem e se estão piorando ajuda a entender quando é hora de buscar orientação profissional.

A pele é o maior órgão do corpo canino e pode refletir diferentes aspectos da saúde do pet. Por isso, prestar atenção a mudanças na pele e na pelagem é um ato de cuidado, não motivo para pânico.

Neste artigo, você vai entender o que pode estar por trás da alergia de pele em cães, quais sinais merecem atenção e como a rotina de cuidados pode apoiar o bem-estar do seu doguinho, sempre com a orientação de um médico veterinário.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta com um médico veterinário, profissional habilitado para avaliar, diagnosticar e orientar os cuidados mais adequados para o seu pet.

Shih Tzu de pelagem dourada e branca, saudável e brilhante, em sala de estar aconchegante

O que é a alergia de pele em cães

A alergia de pele em cães acontece quando o sistema imunológico reage de forma exagerada a determinadas substâncias, chamadas alérgenos. Essa reação pode desencadear inflamação e provocar sinais como coceira, vermelhidão e desconforto.

O termo “alergia de pele” é usado de forma ampla, já que diferentes condições podem causar manifestações semelhantes. Entre elas estão a dermatite atópica, a hipersensibilidade à picada de pulgas e as reações adversas a alimentos. Como os sinais podem se confundir com os de outras doenças de pele, a avaliação de um médico veterinário é essencial para investigar a causa.

As doenças de pele estão entre os motivos frequentes de atendimento na rotina veterinária. Em um levantamento realizado com cães atendidos em Santa Maria (RS), Souza et al. (2009) identificaram a dermatite atópica como a dermatopatia alérgica mais frequente entre os casos analisados, seguida pela dermatite alérgica à picada de pulga e pela hipersensibilidade alimentar.

Em outro estudo, realizado em Fortaleza, Ferreira, Nunes-Pinheiro e Cunha (2023) observaram dermatite atópica canina em 35% dos cães avaliados no contexto da pesquisa, com patas e orelhas entre as regiões frequentemente afetadas.

Vale reforçar: quadros alérgicos não são, por si só, sinal de falta de higiene ou cuidado. Diferentes fatores, incluindo predisposição genética e exposição a determinados alérgenos, podem participar do desenvolvimento dessas condições, e alguns cães e raças podem apresentar maior predisposição.

Sinais de que seu cachorro pode estar com alergia de pele

Ficar atento aos pequenos sinais do dia a dia ajuda a perceber quando algo pode não estar bem com a pele do seu doguinho. Alguns sinais que podem aparecer em quadros alérgicos incluem:

  • coceira frequente, principalmente nas patas, orelhas, virilha e barriga;

  • vermelhidão ou irritação visível na pele;

  • descamação ou formação de crostas;

  • queda de pelo em áreas específicas;

  • lambedura ou mordedura repetitiva em uma mesma região;

  • alterações nas orelhas, como vermelhidão, coceira ou desconforto.

Um cachorro coçando muito costuma ser um dos primeiros sinais que chamam a atenção dos pais de pet. Observar quando a coceira começou, com que frequência acontece, quais partes do corpo são mais afetadas e se existem outros sinais associados pode ajudar o médico veterinário durante a avaliação.

Vale lembrar que esses sinais não são exclusivos das alergias. Parasitas, infecções e outras doenças de pele também podem causar sintomas semelhantes, por isso o diagnóstico deve ser feito por um médico veterinário.

Quando é hora de procurar o veterinário

Alguns sinais pedem atenção mais rápida, como lesões que se espalham, feridas abertas, secreção, mau cheiro na pele ou nas orelhas e mudanças de comportamento, como apatia ou perda de apetite. Nesses casos, o ideal é procurar um médico veterinário o quanto antes.

Mesmo sinais mais discretos merecem atenção quando persistem, aparecem com frequência ou pioram com o tempo. Uma coceira ocasional pode acontecer, mas, se o seu doguinho começa a se coçar, lamber ou morder repetidamente uma região, é importante buscar orientação veterinária para investigar o que está causando o desconforto.

Evite usar medicamentos, pomadas ou produtos por conta própria. Como diferentes problemas de pele podem apresentar sinais parecidos, o tratamento adequado depende da identificação da causa.

Possíveis causas da alergia de pele no cachorro

A alergia de pele em cães costuma ter origem em três grandes grupos de causas: alimentar, ambiental e por pulgas.

Na alergia alimentar, o sistema imunológico reage a uma proteína específica da dieta. Segundo Mueller et al. (2016), proteínas como frango e boi estão entre os alérgenos alimentares mais relatados em cães na prática clínica.

Na alergia ambiental, conhecida como dermatite atópica, o gatilho vem de elementos como pólen, ácaros de poeira e mofo. Conforme observado por Couceiro et al. (2021), em levantamento realizado no Hospital Veterinário da Universidade Federal Rural da Amazônia, a dermatite atópica canina apresenta variação regional, o que reforça o papel do ambiente na manifestação do quadro.

Já a alergia à picada de pulga é uma das mais comuns na rotina clínica e costuma causar coceira intensa mesmo com poucas picadas, já que a reação é à saliva do inseto e não à picada em si.

Como cuidar da pele do seu cachorro no dia a dia

Mão escovando com carinho o pelo de um Cocker Spaniel dourado no banheiro de casa

Além da orientação veterinária, alguns hábitos de rotina apoiam a saúde da pele do seu filho de quatro patas. Manter o controle de pulgas em dia, escovar o pelo regularmente e observar mudanças na pele durante o banho são práticas simples que fazem diferença.

A alimentação também tem papel importante. O ômega 3 para cães, presente em fontes como o óleo de peixe, tem ação anti-inflamatória reconhecida na literatura científica. Segundo Bauer (2011), publicado no Journal of the American Veterinary Medical Association, os ácidos graxos ômega-3 ajudam a modular processos inflamatórios que envolvem a pele e podem contribuir para o conforto do cão nesses quadros.

Fontes proteicas menos comuns na alimentação do dia a dia, como o salmão, também têm sido estudadas como parte de estratégias nutricionais para cães sensíveis.

Dependendo do histórico alimentar do cachorro, o salmão pode ser usado como uma fonte alternativa de proteína em estratégias nutricionais orientadas pelo médico veterinário.

Queda de pelo associada à alergia: o que observar

A queda de pelo em cachorro costuma acompanhar quadros de alergia de pele, principalmente quando há coceira persistente na mesma região. O ato de coçar e lamber repetidamente pode enfraquecer os fios e comprometer a aparência da pelagem.

Segundo Noli et al. (2015), em estudo publicado na Veterinary Dermatology com 160 cães atópicos, a suplementação com PEA ultra-micronizada por oito semanas reduziu de forma significativa o escore de prurido e melhorou o aspecto das lesões de pele.

Observar se a queda de pelo está concentrada em um ponto específico ou distribuída pelo corpo todo ajuda o veterinário a diferenciar causas alérgicas de outras condições, como questões hormonais.

Cuidado nutricional de rotina: o papel do Wigow Pelagem

Dachshund caramelo na cozinha, suplemento Wigow em coração e salmão fresco ao lado

A rotina nutricional é uma aliada da saúde da pele e pode ser reforçada com o apoio de um suplemento pensado para isso. O suplemento para pele e pelagem da Wigow foi formulado com PEA (palmitoiletanolamida), ômega-3, ômega-6, biotina, zinco e astaxantina, ingredientes estudados por seu papel de suporte à saúde da pele e ao brilho da pelagem. 

Ele entra na rotina como parte do cuidado diário, sempre alinhado à orientação do médico veterinário, e nunca como substituto de acompanhamento profissional.

Perguntas frequentes

Alergia de pele em cachorro tem cura?

A alergia de pele costuma ser uma condição controlada, não curada. Com acompanhamento veterinário e ajustes na rotina, é possível manter o pet confortável e reduzir as crises.

Todo cachorro pode desenvolver alergia de pele?

Sim, qualquer cão pode desenvolver o quadro, embora algumas raças pequenas apresentem predisposição maior, segundo levantamentos brasileiros na área.

Alergia de pele em cães pode ser sazonal?

Pode. Quando o gatilho é ambiental, como pólen, os sinais tendem a aparecer com mais intensidade em determinadas épocas do ano.

Alimentação pode causar alergia de pele no cachorro?

Sim. Algumas proteínas da dieta, como frango e boi, estão entre as mais associadas a reações alérgicas em cães.

Como saber se é alergia ou apenas pele ressecada?

Somente o médico veterinário pode diferenciar com precisão, já que os sinais podem se sobrepor. Por isso a consulta é sempre o primeiro passo.

Suplementos alimentares substituem a orientação veterinária?

Não. Suplementos como o Wigow Pelagem fazem parte da rotina de cuidado nutricional, mas nunca substituem o acompanhamento profissional.

Quando devo levar meu cachorro ao veterinário por causa da pele?

Sempre que notar coceira persistente, feridas, mau cheiro ou mudanças de comportamento, o ideal é buscar avaliação veterinária o quanto antes.

Referências científicas

Souza, T.M., Fighera, R.A., Schmidt, C., Réquia, A.H., Brum, J.S., Martins, T.B., & Barros, C.S.L. (2009). Prevalência das dermatopatias não-tumorais em cães do município de Santa Maria, Rio Grande do Sul (2005-2008). Pesquisa Veterinária Brasileira, 29(2), 157-162. https://doi.org/10.1590/S0100-736X2009000200013

Ferreira, T.C., Nunes-Pinheiro, D.C.S., & Cunha, M.G.M.C.M. (2023). Clinical and epidemiological features and impact of life habits in canine atopic dermatitis in Fortaleza, Brazil. Pesquisa Veterinária Brasileira, 43(1), e07302. https://doi.org/10.1590/1678-5150-PVB-7302

Couceiro, G.A., Ribeiro, S.M.M., Monteiro, M.M., Meneses, A.M.C., Sousa, S.K.S., & Coutinho, L.N. (2021). Prevalence of canine atopic dermatitis at the Veterinary Hospital of the "Universidade Federal Rural da Amazônia" in Belém/Pará, Brazil. Pesquisa Veterinária Brasileira, 41(1), 1-4. https://doi.org/10.1590/1678-5150-pvb-6778

Noli, C., Della Valle, M.F., Miolo, A., Medori, C., & Schievano, C. (2015). Efficacy of ultra-micronized palmitoylethanolamide in canine atopic dermatitis: an open-label multi-centre study. Veterinary Dermatology, 26(6), 432-440. https://doi.org/10.1111/vde.12250

Bauer, J.E. (2011). Therapeutic use of fish oils in companion animals. Journal of the American Veterinary Medical Association, 239(11), 1441-1451. https://doi.org/10.2460/javma.239.11.1441

Mueller, R.S. et al. (2016). Common food allergen sources in dogs and cats. BMC Veterinary Research, 12, 9.